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Qual o problema com Fátima Bernardes?

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Fátima Bernardes e Patrícia Poeta

Esta semana o Brasil viu o anúncio de uma mudança que vai marcar uma nova geração do telejornalismo no Brasil: a saída de Fátima Bernardes da apresentação do programa. No posto ao lado do marido e chefe há mais de 14 anos, a jornalista resolveu dar asas aos seus novos sonhos e, apoiada pela empresa, vai lançar um novo programa. O último dia de sua participação no telejornal mais antigo e mais importante do país é segunda-feira próxima, dia 05 de dezembro.

Durante esses anos em que esteve à frente do JN, a apresentadora e repórter passou por várias mudanças visuais e se tornou referência no modelo de telejornalista brasileiro (para o bem ou para o mal). Começou substituindo Lillian Vitte Fibe, em 1998, e o público brasileiro acompanhou suas mudanças de imagem, figurino, cabelo e idade.

Fátima Bernardes mudando de look (e de cabelo) ao longo do tempo. Primeiro com os cachos e o volume no início da carreira de repórter, em seguida já no JN. Cabelos curtos, lisos e ficando loiros.

Antes de ocupar a bancada do JN, a jornalista trabalhou em jornal impresso e como repórter, segundo ela sua verdadeira vocação. Foi repórter de rua, apresentadora do Fantástico e cobriu dezenas de grandes eventos e acontecimentos nacionais. Mas o que isso tudo tem a ver com moda? Se você acompanha o meu blog ou o meu trabalho sabe que eu pesquiso justamente o figurino do jornalista de televisão, e no meu mestrado fui investigar justamente o “casal nacional” formado por Fátima Bernardes e William Bonner (pelo menos até agora). Por isso tanta gente me perguntando nas redes sociais sobre o assunto. Agora vamos à minha opinião.

Como a maioria dos cidadãos brasileiros, eu fui pega de surpresa pelo anúncio da mudança, mas isso não significa que eu me surpreenda com ela. Não estranho a decisão de Fátima Bernardes (ainda mais tendo trabalhado tanto tempo em telejornalismo, sei que não é uma vida fácil, para ela especialmente por conta da exposição pública). Gente, glamour e fama não são tudo na vida, muitas vezes se paga um preço alto por isso. A foto que ilustra o topo desse post me dá a primeira dica da mudança: a idade chegou. Então antes que peçam pra ela sair, talvez ela tenha dado o passo inicial. O telejornalismo é cruel com as mulheres, eu já escrevi sobre isso, os homens são o centro, eles envelhecem no vídeo com muita facilidade, a sociedade cobra muito mais a juventude feminina. É a nova e bela (casada com um dos homens mais importantes da Rede Globo) assumindo o lugar da antiga. Triste isso, mas real. Claro que deve ter os sonhos também da apresentadora, a vontade de fazer algo diferente, de botar um projeto novo pra frente…

Do jeito que o povo brasileiro tem memória curta, daqui a pouco esquecem que ela passou quase 15 anos nesse posto, como já esqueceu os anteriores. E Patrícia Poeta? Eu acho que a emissora tinha muitas escolhas (jornalísticas) mais interessantes, mas talvez elas não estivessem no interesse “estratégico” da nova proposta do JN. E acho também que se o povo desce o verbo com as roupas, cabelos e acessórios de Fátima Bernardes, vai fazer ainda mais com os figurinos da nova apresentadora. É que ela já é motivo da maioria dos comentários modísticos que a emissora recebe, como eu já publiquei aqui.

Resta agora aguardar duas coisas: os novos caminhos do JN e novo programa de Fátima Bernardes. Quem viver, verá!

A apresentadora em tempos de repórter, nos anos 1980

Como apresentadora do Fantástico, nos anos 1990

Para complementar, abaixo alguns momentos polêmicos com relação ao figurino de Fátima Bernardes. A “chapinha japonesa” que congestionou os telefones da emissora em 2002, num tempo pré-twitter. A apresentadora em poses de celebridade e também alguns figurinos polêmicos que bombaram no twitter nos últimos tempos. Recordar é viver! O pessoal tem sido meio cruel com ela nas redes sociais, comentários malvados e grosseiros, como dá pra conferir nos meus artigos nos links abaixo. Talvez isso, junto com a idade, a canseira, os filhos e as rugas tenham engrossado o caldo da mudança. Talvez ela tenha só enchido o saco mesmo.

Fátima Bernardes em três momentos durante o processo químico de alisamento do cabelo em 2002: antes, depois da chapinha japonesa (que provocou uma onda de reclamações) e a “correção”

Valéria Monteiro, primeira mulher a sentar na bancada do Jornal Nacional, em 1992, mas só de vez em quando

Lillian Vitte Fibe foi a primeira mulher a assumir a bancada do JN, em 1996, substituída 2 anos depois por Fátima Bernardes

A apresentadora em revistas de moda, femininas, de esportes e de celebridades

Alguns dos figurinos famosos de Fátima Bernardes, que fizeram "sucesso" no twitter

Se você quer saber mais sobre a mudança na apresentação do Jornal Nacional, os novos rumos de Fátima Bernardes, a escolha de Patrícia Poeta e afins, basta dar uma olhadinha na reportagem sobre o assunto do G1. Também dá pra ver a despedida de Fátima Bernardes e uma reportagem feita por ela mesma sobre o assunto (que saiu ontem no JN) na página do próprio jornal.

E para quem quer saber o que eu já escrevi sobre o assunto, algumas coisas estão publicadas (na íntegra) aqui no blog. São elas:

Mulher macho no telejornalismo? Sim, senhor!

O papel das roupas na construção da imagem de credibilidade do jornalista de televisão

Olha a roupa de Pokebola da Fátima Bernardes

Identidade Visual e o Telejornalista

TELEJORNALISMO E CONSUMO

Babado! A blusa mais comentada da TV brasileira essa semana

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Quem acompanha meu blog ou me conhece sabe que a minha pesquisa de mestrado se debruçou sobre as significações do figurino no telejornalismo brasileiro. Como objeto de estudo, observei o Jornal Nacional (quem quiser saber mais um pouco é só olhar em publicações, tem alguns dos meus trabalhos de pesquisa por lá). Ando meio afastada da observação do Jornal Nacional, mas não tenho como escapar dos comentários que me chegam pelo twitter. Dessa vez foi a fofa da Faby Falcão quem me avisou. Fui olhar no site e no twitter, pronto, pipocaram os comentários engraçados. O povo brasileiro não perdoa. Não sei até que ponto isso é bom ou ruim, porque eu tendo a achar que o povo estranha mais porque não é acostumado do que por senso crítico e social. Análises a parte, que os comentários são engraçados, isso são. Dá uma olhadinha em alguns que eu selecionei.

PiLiB_ feLIPE
Fátima Bernardes tem um inimigo mortal: o figurinista. Que forma de cajuzinho é essa que ela está usando, meu deus ?!

carla_magapic Carla Magalhaes
Como será q é essa roupa da Fátima Bernardes na nuca?

comentv TV + Tweet
Que horas vai tocar a música do “Plantão da Globo” pra falar sobre o escândalo que é esse babado da camisa da Fátima Bernardeshoje no #JN?

Pettersonfarias Petterson Farias
Fátima Bernardes veste a roupa do culto de domingo da sua empregada. Veja.

comentv TV + Tweet
Se chover, os babados da camisa da Fátima Bernardes se transformam num enorme criatório de mosquitos da dengue! Acumula água lá #JN

celsodossi Celso Dossi
Por que a Fátima Bernardes tá vestida de bolo de coco de padaria?

comentv TV + Tweet
Gente, a camisa da Fátima Bernardes tá parecendo aqueles figurinos das bailarinas d’água na abertura do Fantástico nos anos 90! #JN

bellebarros Isabelle Barros
o que é isso pendurado no pescoço de fátima bernardes? parece uma anêmona do mar feita de papel machê…

dudupacheco dudupacheco
A blusa da Fatima Bernardes e uma obra de arquitetura.

papodebola Edu Cesar
Enquanto está 1 x 0 Brasil aos 16′, o que é o casaco “duas caras” da Fátima Bernardes no “Jornal Nacional”? Eh, eh, eh…

Teledramaturgia Nilson Xavier
Fatima Bernardes levou spray de chantilly na blusa, só pode! #JN

Olha a roupa de Pokebola da Fátima Bernardes

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Desde o início dessa nova etapa do blog eu me comprometi a divulgar as minhas produções acadêmicas por aqui, disponíveis no menu na parte Publicações. Ainda falta colocar algumas, mas aos poucos vamos disponibilizando os trabalhos por lá. Muita gente tem me pedido minha dissertação de mestrado completa, cujo título foi Casal Nacional: significações do corpo e do figurino no telejornalismo, mas preciso dar um formato mais legal ao trabalho antes de divulgá-lo por aqui. Por enquanto eu vou colocando para download os artigos sobre o assunto.

Aproveitando que hoje à noite estarei na estreia do Café com Moda falando justamente de Figurino para Telejornalismo (a partir das 16h, na Livraria Leitura, do Manaíra Shopping, entrada franca), resolvi disponibilizar aqui o meu artigo mais recente, que foi aceito na Intercom Nacional deste ano, o congresso de comunicação mais importante do país, que será realizado em Recife de 02 a 06 de setembro de 2011. O artigo se chama Olha a roupa de Pokebola da Fátima Bernardes: significações do figurino telejornalístico através dos comentários do twitter. 

Logo abaixo estão o resumo do artigo, as palavras chave e o link para download do arquivo completo em PDF.

Olha a roupa de Pokebola da Fátima Bernardes: significações do figurino telejornalístico através dos comentários do twitter

Agda AQUINO

Resumo

Este trabalho busca na rede social twitter uma forma de observar a nova relação disposta entre os espectadores e os conteúdos televisuais, em especial o telejornal. Comentários e apontamentos que antes poderiam ficar restritos ao ambiente familiar, individual ou de grupos específicos, agora passam a ser difundidos e massificados, além de colaborarem com a movimentação de públicos que transitam entre a Internet e a televisão convencional. O figurino dos apresentadores do Jornal Nacional, da Rede Globo, serve de ilustração para colaborar no entendimento do novo papel que os jornalistas de TV assumem na sociedade contemporânea. Através dos comentários do twitter identificamos a multiplicidade de significações que o público pode produzir com relação a esses conteúdos imagéticos, além de apontar para um novo entendimento do papel do figurino na composição da imagem do profissional de telejornalismo.

Palavras-chave: Telejornalismo; apresentadores; figurino; Jornal Nacional; twitter.

Arquivo completo (em pdf): Artigo_agda_intercom_2011

REFERÊNCIA PARA CITAÇÃO:

AQUINO, Agda. Olha a roupa de Pokebola da Fátima Bernardes: significações do figurino telejornalístico através dos comentários do twitter. Trabalho apresentado no DT 6 – GP: Comunicação e Culturas Urbanas, do X Encontro dos Grupos de Pesquisa em Comunicação, evento componente do XXXIV Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação. 02 a 06 de Setembro de 2011, Recife-PE.

Amanhã tem palestra sobre moda e telejornalismo na UFPB

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Foi com muita alegria que recebi o convite da professora Suelly Maux, da UFPB, para participar do ciclo de conversas que ela promove no Departamento de Comunicação. O tema será nada menos do que aquele pelo qual eu sou mais apaixonada e que passei os últimos anos da minha vida pesquisando: a moda e  o telejornalismo no Brasil. Com base na minha dissertação de mestrado, a conversa vai ser guiada pelos caminhos que me fizeram chegar até o “final” da pesquisa (ou pelo menos dessa etapa dela, já que o tema não se esgota). É realmente um privilégio poder ser convidado para falar sobre aquilo que você gosta.

Metodologia transdisciplinar e formas complexas de encarar a pesquisa acadêmica, os elementos de conteúdo e de expressão do telejornalismo no Brasil, o que é figurino para telejornalismo, a discussão sobre jornalistas/artistas e alguns exemplos do Jornal Nacional fazem parte do bate-papo. Sintam-se todos convidados. Abaixo deixo algumas imagens do que será conversado por lá só pra “dar o gostinho”.

MAIS DO BONNER NO TWITTER

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>William Bonner falando da relação dele com o Twitter e como ele se diverte com isso. Fala até da história das gravatas. A entrevista foi dada ao GNT.

GRAVATAS DO BONNER PELO TWITTER

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Jornalistas de TV que se cuidem! Ou melhor, cuidem dos seus figurinos, que a partir de hoje começa a rolar o T.e.V.i, um blog bem ao estilo facehunters (aqueles caçadores de tendências das ruas) voltado exclusivamente para o que os jornalistas de televisão estão usando ou deixando de usar. E para estrear, o twittero do momento, William Bonner. O sucesso do apresentador/editor-chefe do Jornal Nacional no Twitter ta dando o que falar, e o que mostrar também. Esta semana ele pediu ajuda dos seus seguidores duas vezes para escolher a gravata que ia usar na bancada do telejornal de maior audiência do país. A primeira foi no dia 13 de outubro, terça-feira passada. Olha só o que ele postou minutos antes do JN entrar no ar…

“OK. OK. Camisa azul-claro. Paletó marinho. Sugestões para a cor da gravata.”
“Quem disse vmela com bolinhas azuis diga EU!” (sic.)
“Vermelha com bolinha azuis.”
“Ganharam. Interativa fashion. (…)”

E não deu outra, minutos depois estava ele com sua gravata vermelha de bolinhas azuis (bem clarinhas).


O segundo episódio foi no dia seguinte (ontem, quarta-feira, 14). Ele escreveu…

“Interativa fashion rápida. Ganhadora será apurada ao fim do primeiro minuto. Paletó cinza escuro, camisa branca. Sugestão de cor de gravata.”
“Prazo para votações encerrado.”
“OK. Bordô. Mas vamos a um desempate.”
“1 minuto para responder: bordô lisa ou com listras em branco e cinza?”
“votações encerradas.”
“Lisa”

E lá estava ele de gravata bordô lisa para alegria geral da galera twittera.


Talvez quem não esteja gostando muito dessa brincadeira seja Regina Martelli, a jornalista e consultora de moda que trabalha assessorando os apresentadores e repórteres da emissora. Eu confesso que só não dei a minha opinião nas gravatas porque não deu tempo. Resta saber se essas centenas de twitteros (para não dizer milhares) que acompanharam esse movimento pela internet conseguiram prestar atenção nas notícias do JN, que é o que realmente importa. Eu demorei bastante pra me concentrar no conteúdo em vez das gravatas.

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