
O papa Bento 16 beija o imã do Cairo Mohamed Ahmed el-Tayeb

Selinho entre Barack Obama, dos EUA, e Hugo Chávez, da Venezuela
Estou definitivamente numa semana inspirada pela publicidade. Dessa vez o assunto é a polêmica em torno da nova campanha da Benetton. A marca, que é uma transnacional italiana de moda, foi funda da em 1965 por quatro membros da Família Benetton. Nos anos 1980 e 1990 a grife ficou famosa por campanhas polêmicas e agora ela volta ao topo das paradas de sucesso da publicidade por mais uma campanha controversa. A assessoria jurídica do Papa Bento XVI já entrou com uma ação na justiça para tirar os outdoors das ruas do Vaticano e de toda Itália, por considerar a montagem uma ofensa ao representante máximo da Igreja Católica. Mas o Papa não foi o único escolhido para estrelar os anúncios. Com o título de “Unhate”, que numa tradução literal pode ser entendido como algo como “desodeie”, os outdoors mostram grandes líderes mundiais se beijando na boca. Irônicas e com uma espécie de humor ácido, as imagens estão provocando um burburinho só. Outras peças mostram o presidente americano Barack Obama beijando o líder venezuelano Hugo Chávez e o presidente chinês Hu Jintao, um beijo entre o premiê israelense Binyamin Netanyahu e o líder palestino Mahmoud Abbas e outro entre o líder da Coreia do Norte, Kim Jong-Il e o presidente da Coreia do Sul, Lee Myung-bak. Dá pra ver tudo no site oficial.

Os representantes da Coréia do Norte (Kim Jong-Il) e da Coréia do Sul (Lee Myung-bak)

O presidente palestino Mahmoud Abbas e o primeiro ministro israelita Benjamin Netanyahu

Barack beija também o presidente Hu Jintao

E tem também um beijinho entre a chanceler alemã Angela Merkel e o presidente francês Nicolas Sarkozy
Mas antes dessas, muitas outras campanhas da Benetton chocaram as pessoas através de imagens e temas polêmicos, como racismo, violência, condenação à morte, deficiência física, homossexualidade, Aids, guerras, religião e vários outros. Inúmeras vezes o Vaticano acionou a justiça contra as ações publicitárias da marca, como na vez em que a grife usou a imagem de uma freira e um padre se beijando ou naquela em que usou uma estátua de Jesus em meio a um leito de morte com uma família obesa ao redor. Sempre com o fotógrafo Oliviero Toscani à frente dos projetos, as campanhas optam por uma estratégia de “propaganda de choque”, que se tornou uma prática cada vez mais utilizada por publicitários, considerada uma maneira eficiente de ganhar a competição pela atenção do público. Mas desde 2000 a empresa não fazia algo tão polêmico. Para muitos essa é uma espécie de “volta às origens” nos conceitos publicitários da marca que marcaram época e criaram uma certa identidade para a grife.

Campanhas polêmicas da Benetton nos anos 1990
O que eu reflito aqui é a questão da moda inserida na campanha. Há muito tempo que eu defendo a ideia de que moda não é só roupa, produto simplesmente. É conceito, identidade, posições políticas, ideologias, sonhos, desejos e objetivos de vida. Onde estão as roupas nas campanhas? As peças que são comercializadas pela marca? Na loja, porque a marca não quer vender produto e sim conceito. Se essa campanha funciona bem para todos os públicos, eu acho que não. Se ela vai funcionar para os novos consumidores da marca, é um caso a se pensar. Se vale a pena investir na polêmica a todo custo só para ficar em evidência, é uma questão ética importante para ser discutida. Mas que dá o que falar, isso dá. Se você quiser se aprofundar um pouco mais no assunto, eu sugiro a leira dessa monografia de graduação em Publicidade e Propaganda de 2002 que faz um estudo semiótico sobre as antigas campanhas polêmicas da marca. Para ler basta dar uma olhadinha no link: http://www.nead.unama.br/site/bibdigital/monografias/benetton.pdf

Curtir isso:
Curtir Carregando...