
Hoje é domingo, dia de dica de filme para a galera fashion. Fazia tempo que eu queria falar desse por aqui, mas por um motivo ou outro ficou para depois. Ele não é novidade, mas por incrível que pareça tem um monte de gente que não viu. Estou falando do documentário The September Issue, que mostra o trabalho de Anna Wintour na Vogue norte-americana e como a principal edição do ano é concebida. Eu tive o prazer de conhecer a revista citada no filme, uma publicação enorme de centenas de páginas, mais da metade de publicidade. Também participei de uma banca de TCC em Mossoró, na UERN, onde uma estudante fez uma ótima análise da obra – um marco para a produção audiovisual fashion.

O filme conta os bastidores da produção da edição de setembro da revista. Anna Wintour é personagem principal, realmente monossilábica, mas quando ela fala sempre surgem frases de efeito e que nos fazem abrir o caderninho de anotações pra não esquecer disso nunca mais. O diretor R.J. Cutler captou bem o espírito da moda e é maravilhoso ver desfiles e roupas numa tela gigante de cinema. O filme é uma verdadeira mostra de como as grandes revistas de moda são feitas, tim-tim por tim-tim (e com aqueles cortes estratégicos que só o cinema saber fazer).

Logo no início, o dcumentário mostra o que a gente realmente imagina, Anna Wintour vendo exclusivamente e em primeira mão a coleção de YSL em Paris. E num dos poucos momentos do filme, baixou o espírito devil e suas caras e bocas decretaram que ela não tinha simpatizado com a coleção de Pilati, que se esforçou tentando reverter a situação. Tirando isso, o filme não mostra uma Anna tão devil assim, o que ela mesmo fala no filme é que ela trata seu trabalho com seriedade e muita responsabilidade, devido a tamanha importância de sua “opinião” sobre o assunto. Agora se você acha que o filme é cheia de Voguettes de 20 anos andando num salto 18, esqueça, não tem nada disso, a grande estrela do filme (mais que Anna) atende pelo nome de Grace Coddington, que era diretora-criativa da revista. Ela na época era responsável pelo editorias fantásticos e que sempre têm a intenção de ser um conto de fadas e fazer a pessoa sorrir e sonhar. Grace, que começou a carreira como modelo e entrou no mesmo dia que Anna na Vogue, é seu oposto, cheia de paixão, demonstra mais afetuosidade e “empolgação” no seu serviço. Ela sempre bate de frente e é a única que discorda de Anna, os momentos tensos do filmes estão sempre com ela, que por muitas vezes parece que vai mandar Anna pra casa do carValho, mas no final, uma sempre reconhece o trabalho da outra.

Essa foto acima é o exemplo do poder de Grace. O cameraman em questão é o que filmou o documentário e que foi convidado por Grace pra aparecer nesse editorial (com a Trentini). Quando Anna viu a foto, falou (brincando) que ele precisava malhar e mandou photoshopar a barriga do coitado, mas depois surge Grace que diz que de perfeita bastam as modelos, nada de photoshop nele, e assim foi feita a vontade da gênia (segundo a própria Anna).

Além disso, o filme tem uma hilária participação de Mario Testino, Sienna Miller que foi a capa e foi execrada com seu cabelinho, Raquel Zimmermann em dois editorias e Carol Trentini em um, o estilista Thakoon, que foi revelado por Anna, Gaultier e Bee Shafer, a filha de Anna, que disse que não quer nada com moda, mas ajuda a mãe a escolher a melhor capa!

O que nem todo mundo sabe ou faz a relação automática é com o filme “O Diabo Veste Prada”. Pois o documentário foi produzido como uma espécie de reposta ao filme. Demorou um pouco para ser lançado porque, de acordo com os boatos, teve que se reeditado quantas vezes fosse necessário para demonstrar uma Anna Wintour bem distante daquela mostrada na ficção, mas meio que acaba dando um tiro pela culatra porque mostra mais semelhanças do que diferenças. Vale a pena ver um e outro na sequência, e cada um tira as conclusões que achar melhor.
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